Custos de Ciclo de Vida (CCV)


Por Paula Cayolla Trindade*

O que são custos de ciclo de vida?

Quando uma autoridade contratante adquire um produto, serviço ou empreitada, o preço de aquisição é apenas um dos elementos do custo da compra. Na realidade, qualquer bem comporta um conjunto de custos que estão associados a cada fase do seu ciclo de vida, como sejam: 
  • o preço de aquisição e todos os custos associados (entrega, instalação, colocação em funcionamento, etc.); 
  • custos de operação, incluindo consumo de energia e água, peças sobresselentes e manutenção;
  • custos de fim de vida, como o desmantelamento e eliminação. 
Estes custos, que no seu conjunto também são denominados de "custo total de posse”, podem ser determinados e avaliados com recurso à metodologia de Custo de Ciclo de Vida  (CCV), denominado em inglês por life-cycle costing (LCC).


 
Adotar uma abordagem CCV permite revelar o verdadeiro custo de um contrato, pois significa considerar todos os custos que serão incorridos durante o período de vida do produto, empreitada ou serviço contratado. Esta abordagem auxilia na tomada de decisão ao longo do procedimento de compra, permitindo avaliar de forma integrada as diferentes propostas, e determinar aquelas que que apresentam uma melhor relação qualidade/preço, isto é, o melhor valor para o dinheiro, que deve ser avaliado com base em critérios que incluam aspetos qualitativos, ambientais e/ou sociais.

Como referido, um CCV considera quatro categorias principais de custo: investimento (custos de aquisição), operação, manutenção e despesas de eliminação em fim de vida. Existe, contudo, a possibilidade de expandir esta análise ao incluir as externalidades ambientais, que constituem os custos associados aos impactes ambientais verificados ao longo do ciclo de vida dos produtos, como por exemplo o aquecimento global resultante das emissões de CO2 associadas ao consumo de energia.
 

Como utilizar o LCC nas compras?

Tipicamente a utilização da metodologia CCV está associada à avaliação de propostas na fase de ajudicação. Contudo, o potencial do CCV para as compras públicas sustentáveis não se limita a esta fase, podendo ser usado ao longo do procedimento de compras em diferentes fases:
  • Fase de preparação – para avaliar a solução existente. Aqui permite definir uma situação de referência e determinar os diferentes elementos de custo associados ao objeto da compra, ajudando na identificação de necessidades;
  • Fase de consulta ao mercado - antes do concurso e após uma consulta ao mercado, permite uma primeira comparação de diferentes soluções disponíveis, restringindo o leque de opções a serem consideradas. Adicionalmente, em casos de compras para a inovação permite uma melhor comunicação dos benefícios das novas tecnologias e ajuda a definir alguns requisitos gerais de desempenho para as novas soluções;
  • Fase de concurso – permite avaliar as propostas, calculando e comparando os CCV de cada proposta. Nesta fase de um procedimento de compras públicas o preço de aquisição de um produto é frequentemente um dos fatores mais influentes. Contudo, um produto mais caro (por exemplo por ser mais eficiente ou ecológico) pode compensar no longo prazo, ao reduzir custos de operação e manutenção, tal como os custos provenientes do consumo de energia;
  • Após o concurso - permite avaliar e comunicar as melhorias obtidas com o produto, serviço ou empreitada adquirida, em comparação com a situação anterior. 



* Paula Cayolla Trindade - Unidade de Eficiência de Recursos, Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG)

Doutorada em Ambiente e Sustentabilidade pela Universidade Nova de Lisboa, mestre em Engenharia Sanitária pela mesma instituição e licenciada em Química Tecnológica pela Universidade de Lisboa. É investigadora auxiliar no Laboratório Nacional de Energia e Geologia, I.P, onde é responsável por atividades de investigação e consultoria em organizações (empresas, organizações públicas e do terceiro sector) na área da Sustentabilidade desde 1991, em particular na área da Contratação pública e institucional na vertente da Sustentabilidade – Compras Ecológicas, Compras Sociais, Compras de Baixo Carbono, Compras para a Inovação, Compras para a Economia Circular. Neste âmbito desenvolve e implementa projetos Europeus e Nacionais desde 2001. Tem experiência profissional em organizações Europeias - EIT Climate-KIC Transitions Hub, Bruxelas no âmbito do desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis para acelerar a transição para uma Economia de Carbono Zero, utilizando uma perspetiva sistémica. Formou, desde 2003, mais de 250 técnicos em Compras Ecológicas, Compras Sustentáveis, Compras de Baixo Carbono e Compras Circulares. Foi especialista da União Europeia em Produção e Consumo Sustentável. Nas atividades que desenvolve combina a formação, a implementação prática em organizações nacionais e o desenvolvimento de conhecimento, que divulga a nível nacional e internacional.

Política de Cookies

Este site utiliza Cookies. Ao navegar, está a consentir o seu uso. Saiba mais

Compreendi