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Mês da Biodiversidade: Dia Mundial da abelha, de todas as abelhas


Hoje assinala-se o Dia Mundial da Abelha. Em 2017 a ONU designou o dia 20 de Maio como o Dia Mundial da abelha e desde então este dia tem vindo a ser celebrado um pouco por todo o mundo. O objetivo é precisamente aumentar a consciência sobre a importância dos polinizadores, as ameaças que enfrentam e a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Mas quem são as abelhas e porque são tão importantes?
Nenhum outro inseto é tão familiar como as abelhas. A produção de mel e a polinização fizeram das abelhas companheiras de longa data do ser humano. Há alguns milhares de anos esta proximidade resumia-se à recolha de mel de abelhas "selvagens”. Progressivamente a proximidade foi aumentando, e estima-se que há cerca de 5000 anos atrás deu-se início ao que viria a ser a apicultura, ou seja, a criação de abelhas e a sua domesticação. Atualmente a produção mundial de mel ronda 1.9 milhões de toneladas, dos quais cerca de 250 mil toneladas são produzidas na Europa. Mas se por um lado respeitamos e conhecemos razoavelmente bem a abelha-do-mel, também chamada de abelha-doméstica ou pelo nome científico Apis mellifera Linnaeus, 1758, pouco sabemos das outras espécies de abelhas e do seu valor para o nosso dia a dia através da polinização. Sim, porque há mais do que uma espécie… só em Portugal já foram inventariadas mais de 700 espécies e estima-se que existam mais de 20 000 espécies de abelhas em todo o mundo. E a maioria das abelhas nem correspondem ao estereótipo de abelhas. Quando pensamos em abelhas, pensamos frequentemente em enormes favos de mel, enxames de centenas de indivíduos e picadas dolorosas para nós e que resultam na morte das abelhas. No entanto, apenas as abelhas sociais produzem mel para alimentar a colmeia e a rainha durante o inverno. A maioria das espécies de abelhas são abelhas solitárias, ou seja, não vivem em colónias, não têm uma rainha, nem produzem mel. Aproximadamente 70% nidificam em tocas subterrâneas e também não produzem cera para construir as células dentro do ninho, usando materiais diversos, que varia com a espécie. As abelhas solitárias variam igualmente em tamanho, a mais pequena mede apenas 1.8 mm de comprimento e vive na Austrália e a maior abelha conhecida mede 63.5 mm e vive na Indonésia. Mas além da sua diversidade de tamanhos, cores e formas há motivos de sobra para admirar, respeitar e zelar pelas abelhas solitárias. São polinizadores muito mais eficientes do que as abelhas-do-mel. Tal como as abelhas-do-mel passam grande parte do tempo de flor em flor a recolher néctar e pólen, no entanto, como não possuem corbícula ou "cesta de pólen”, de que cada vez que visitam uma flor, deixam cair muito mais pólen do que as abelhas-do-mel. Esta "falta de material” e jeito meio desastrado torna-as polinizadores muito mais eficientes e muito necessários, de enorme importância a nível ecológico e para as populações humanas. São ainda inofensivas por não possuírem ferrão, sendo segura a sua presença tanto para humanos como para animais de estimação, o que nem sempre acontece com as abelhas-do-mel. Em todo o caso, as abelhas-do-mel apenas atacam quando se sentem ameaçadas, e o ataque visa a defesa da colmeia, resultando muitas vezes na morte das mesmas. Por isso se não as incomodar é muito pouco provável que seja picado por uma abelha.

Durante o mês de Maio, o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto em parceria com a Lipor promovem o conhecimento da diversidade e importância dos insetos.

Sónia Ferreira



Na figura estão ilustradas 11 das mais de setecentas espécies de abelhas presentes em Portugal. Da esquerda para a direita e de cima para baixo: Apis mellifera Linnaeus, 1758 (abelha-do-mel), Epeolus sp., Nomada striata Fabricius,1793, Andrena thoracica (Fabricius, 1775), Hylaeus meridionalis Förster, 1871, Sphecodes puncticeps Thomson,1870, Bombus terrestres Linnaeus, 1758, Colletes sp., Bombus ruderatus (Fabricius, 1775), Megachile sp. e Andrena sp..